A API Pix do Bacen não é um serviço que o Banco Central abre direto para a sua empresa. É uma especificação padronizada pelo Banco Central que cada prestador de serviços de pagamento (PSP) implementa para os próprios clientes: você integra com a API Pix do banco ou da instituição onde tem conta, seguindo o padrão do Banco Central. Uma API de gateway, como a API Pix da xFlow, fica uma camada acima. Ela entrega uma API própria, mais simples de integrar, e conecta a mesma chamada a várias adquirentes.
O que é a API Pix do Banco Central
Segundo o Manual de Padrões para Iniciação do Pix (versão 2.10.0, consultada em 25/10/2026), a API Pix é uma API padronizada pelo Banco Central para facilitar a integração das soluções de automação ao Pix, ampliar a concorrência e reduzir custos para os usuários finais. O manual a descreve como o componente que permite ao pagador ou ao recebedor, em relações com empresas, automatizar a interação com o seu PSP.
A especificação técnica é publicada em formato OpenAPI pelo próprio Banco Central, no repositório bacen/pix-api, citado no manual. As informações gerais sobre o arranjo estão na página oficial do Pix no site do Banco Central.
O que a especificação cobre
O manual lista as funcionalidades da API Pix. Entre elas:
- Cobrança imediata, para pagamento no ato, como no caixa de uma loja ou num e-commerce.
- Cobrança com vencimento, com cálculo de descontos, abatimentos, juros e multa.
- Devolução de valores, por exemplo quando uma compra é desfeita.
- Webhook, para o PSP avisar o recebedor quando um Pix ligado a um txid é creditado.
- Pix Saque e Pix Troco iniciados por QR Code dinâmico.
- Pix Automático, com criação e gestão de recorrências.
Dois pontos do manual costumam surpreender quem começa. Primeiro, o QR Code dinâmico deve ser gerado pelo recebedor por meio da API Pix, mas a API não retorna um arquivo com a imagem do QR Code: montar a imagem fica com o PSP, com a automação comercial ou com outro software. Segundo, a criação de QR Code estático não faz parte da API Pix. A diferença entre os dois tipos está em QR Code Pix dinâmico por API.
Como é integrar direto com a API Pix de um PSP
A especificação define requisitos de segurança que o PSP precisa seguir, e eles chegam até você como trabalho de integração:
- Conta no PSP. A API dá acesso só às contas do CPF ou CNPJ associado, no prestador que a oferece.
- Cadastro no ambiente logado do PSP, com envio seguro das credenciais.
- OAuth 2.0 com TLS mútuo. O fluxo é o Client Credentials, e a conexão usa certificado digital do cliente, emitido pelo PSP ou por uma autoridade certificadora externa, conforme a regra de cada PSP. Certificado autoassinado não é aceito.
- TLS 1.2 ou superior em todas as conexões.
- Webhook por canal com TLS mútuo, de preferência com os mesmos certificados da API.
- txid em cada cobrança. O identificador tem de 26 a 35 caracteres (letras e números) e não pode se repetir para o mesmo recebedor. Ele pode ser enviado por você ou gerado pelo PSP.
- Imagem do QR Code por sua conta, se o PSP não oferecer.
Nada disso é ruim. É o padrão que torna o Pix seguro e interoperável. Mas cada item é código, infraestrutura e manutenção. E a integração vale para um prestador: se você quiser um segundo, para ter contingência ou outra condição comercial, refaz boa parte do trabalho, com as regras de certificado e de cadastro do novo PSP.
Como é a API de um gateway como a xFlow
A xFlow trabalha com 11 adquirentes integradas e entrega a você uma API própria, que esconde as diferenças entre elas. Você integra uma vez, com uma interface única, e a escolha de qual adquirente recebe cada cobrança segue as regras definidas para a sua conta.
Na prática, a integração fica assim:
- Uma credencial. HTTP Basic com a chave pública (
pk_live_) e o segredo (sk_live_), gerados no painel. Sem certificado de cliente. - QR Code pronto. A criação da cobrança devolve
pix.copyPasteepix.qrCodeBase64, uma imagem PNG pronta para a tela. - Webhooks assinados. Cada evento chega por HTTPS com assinatura HMAC-SHA256 do corpo e até 3 reenvios.
- Conciliação pronta. A cobrança paga traz
payer(quem pagou) epix.endToEnd, o End-to-end ID da liquidação. - Sandbox. Chaves
pk_test_com os mesmos endpoints e simulação de pagamento. - Saque e estorno pela mesma API. Saque Pix por chave ou QR Code e estorno total da cobrança.
- 11 adquirentes atrás da mesma chamada, com roteamento por regras (valor, horário e dia da semana) e retentativa automática: se uma adquirente não responder, a cobrança é gerada na próxima da cadeia. Veja em orquestração de pagamentos e multiadquirência.
Criar uma cobrança é uma chamada:
curl -X POST https://app.xflowpayments.com/api/v1/charges \
-u "pk_live_...:sk_live_..." \
-H "Content-Type: application/json" \
-H "Idempotency-Key: pedido-1234" \
-d '{"amountCents":1990,"customer":{"name":"Cliente","email":"c@ex.com","document":"00000000000"}}'Comparativo
| API Pix do padrão do Banco Central (via PSP) | API de gateway (xFlow) | |
|---|---|---|
| Quem oferece | O PSP onde você tem conta | A xFlow Payments |
| Autenticação | OAuth 2.0 com TLS mútuo e certificado digital | HTTP Basic com chave pública e segredo |
| Imagem do QR Code | A API não retorna; depende do PSP ou do seu software | Vem pronta em PNG |
| Identificador da cobrança | txid de 26 a 35 caracteres, sem repetição | id da cobrança e o seu external_reference |
| Webhook | Canal com TLS mútuo | HTTPS com assinatura HMAC-SHA256 |
| Prestadores | Um por integração | 11 adquirentes na mesma integração |
| Falha do prestador | Você precisa ter outra integração pronta | Retentativa na próxima adquirente da cadeia |
| Cobrança com vencimento e Pix Automático | Previstos na especificação | Não fazem parte da documentação atual da xFlow |
Quando cada uma faz sentido
A API Pix direta com um PSP faz sentido quando:
- você tem um único banco e não precisa de contingência entre prestadores;
- o seu time já opera certificados digitais, OAuth com TLS mútuo e geração de QR Code;
- você precisa de recursos da especificação que um gateway não oferece, como cobrança com vencimento com juros e multa ou Pix Automático.
Uma API de gateway como a xFlow faz sentido quando:
- você quer integrar rápido, com uma credencial e QR Code pronto;
- a operação não pode parar se um prestador ficar instável;
- você quer escolher qual adquirente recebe cada cobrança, por regra;
- você precisa de cobrança, estorno, saque, split entre contas e webhooks numa só API, com sandbox e logs.
Uma forma prática de decidir: liste o que o seu produto precisa hoje e compare com o que cada caminho entrega. Se a lista é cobrar por Pix, confirmar o pagamento, devolver e sacar, um gateway resolve com menos código. Se a lista inclui recursos que só a especificação completa cobre, o caminho é integrar com a API Pix do seu PSP.
Para ver a API da xFlow por dentro, comece pela página API Pix e pela documentação. Os exemplos por linguagem estão em Desenvolvedores.
Conteúdo informativo, atualizado em 25/10/2026. Não substitui orientação jurídica.
Perguntas frequentes
O Banco Central oferece uma API Pix para empresas?
O Banco Central padroniza a especificação da API Pix, mas quem a oferece à empresa é o prestador de serviços de pagamento onde ela tem conta. A integração é feita com a API desse prestador, seguindo o padrão do Banco Central.
Qual a diferença entre a API Pix do Bacen e a API de um gateway?
A API Pix do padrão do Banco Central liga você a um prestador, com OAuth 2.0, certificado digital e TLS mútuo. A API de um gateway como a xFlow usa uma credencial simples, devolve o QR Code em imagem e passa por várias adquirentes com a mesma chamada.
A API Pix do padrão do Banco Central devolve a imagem do QR Code?
Não. O Manual de Padrões para Iniciação do Pix diz que a API Pix não retorna um arquivo com o QR Code gerado; a imagem pode vir do prestador, da automação comercial ou de outro software. Na xFlow, a imagem vem pronta em pix.qrCodeBase64.